Muito tenho ouvido falar a respeito de educação. De quem seria a responsabilidade. Da escola? Da família? De ambos? Na minha opinião, de toda a sociedade. Todos somos responsáveis pela educação, pelos bons exemplos, pela orientação, e quanto mais próximo, pela correção.
Não adianta fechar os olhos do que as crianças ou jovens fazem, e quando algo de mais grave ocorre, acharmos culpados externos.
A família é o berço da boa educação. Desde pequena, a criança tem que se habituar a conviver com os limites, com o respeito ao próximo, aos mais velhos.
O que vemos hoje em dia, porém, causa arrepios. Os pais de um adolescente que foi punido por ter pichado a sala de aula, reclamou da escola. Uma mãe, indignada pelas notas baixas da filha, bateu na professora.
Qual o sentimento ético que estes adolescentes terão, ao verem seus pais apoiando seus erros?
A negligência familiar é a maior causa dos descaminhos, não tenho a menor dúvida.
Uma vez o capitão Oscar Bessi Filho, entrevistado no Programa Falas e Fatos, deu um exemplo bem claro: “Tem pai que dá de presente para o filho, no Natal, um Playstation 2, que custa mais de 500 reais. Mas este mesmo pai reclama quando tem que comprar um livro de 30 reais”. Quantos destes exemplos nós conhecemos?
A educação começa no berço. Depois, não adiante reclamar.
falasefatos.com.br
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia da Mulher
Para a data de hoje, me apoio em artigo da pesquisadora Eva Blay, escrito em abril de 2004, e disponível no site www.piratininga.org.br.
“O dia 8 de março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da Mulher. Atualmente tornou-se uma data um tanto festiva, com flores e bombons para uns. Para outros é relembrada sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.
No século XIX e no início do XX, nos países que se industrializavam, o trabalho fabril era realizado por homens, mulheres e crianças, em jornadas de 12, 14 horas, em semanas de seis dias inteiros e freqüentemente incluindo as manhãs de domingo. Os salários eram de fome, havia terríveis condições nos locais da produção e os proprietários tratavam as reivindicações dos trabalhadores como uma afronta, operárias e operários considerados como as "classes perigosas". Sucediam-se as manifestações de trabalhadores, por melhores salários, pela redução das jornadas e pela proibição do trabalho infantil.
Subjacente aos grandes movimentos sindicais e políticos emergiam outros, construtores de uma nova consciência do papel da mulher como trabalhadora e cidadã. Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Clara Lemlich, Emma Goldman, Simone Weil e outras militantes dedicaram suas vidas ao que posteriormente se tornou o movimento feminista.
O dia 25 de março de 1911 era um sábado, e às 5 horas da tarde, quando todos trabalhavam, irrompeu um grande incêndio na Triangle Shirtwaist Company, que se localizava na esquina da Rua Greene com a Washington Place. A Triangle ocupava os três últimos de um prédio de dez andares. O chão e as divisórias eram de madeira, havia grande quantidade de tecidos e retalhos, e a instalação elétrica era precária. Na hora do incêndio, algumas portas da fábrica estavam fechadas. Tudo contribuía para que o fogo se propagasse rapidamente.
A Triangle empregava 600 trabalhadores e trabalhadoras, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas, jovens de 13 a 23 anos. Fugindo do fogo, parte das trabalhadoras conseguiu alcançar as escadas e desceu para a rua ou subiu para o telhado. Outras desceram pelo elevador. Mas a fumaça e o fogo se expandiram e trabalhadores/as pularam pelas janelas, para a morte. Outras morreram nas próprias máquinas.
Morreram 146 pessoas, 125 mulheres e 21 homens, na maioria judeus.
A comoção foi imensa. No dia 5 de abril houve um grande funeral coletivo que se transformou numa demonstração trabalhadora. Apesar da chuva, cerca de 100 mil pessoas acompanharam o enterro pelas ruas do Lower East Side. No Cooper Union falou Morris Hillquit e no Metropolitan Opera House, o rabino reformista Stephen Wise.
No Brasil vê-se repetir a cada ano a associação entre o Dia Internacional da Mulher e o incêndio na Triangle quando na verdade Clara Zetkin o tenha proposto em 1910, um ano antes do incêndio. É muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres. Mas o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin”
O importante não é saber se o Dia Internacional da Mulher tem a ver com o incêndio ou não. O importante, para mim, é tentar não ver a data como uma comemoração. A data é de luta. De resistência e reivindicação.
Eu temo que logo, logo se transforme em mais uma data festiva e comercial, e o verdadeiro significado seja esquecido.
Temos que apoiar as mulheres nas suas lutas. E pronto,
http://www.falasefatos.com.br/
“O dia 8 de março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da Mulher. Atualmente tornou-se uma data um tanto festiva, com flores e bombons para uns. Para outros é relembrada sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.
No século XIX e no início do XX, nos países que se industrializavam, o trabalho fabril era realizado por homens, mulheres e crianças, em jornadas de 12, 14 horas, em semanas de seis dias inteiros e freqüentemente incluindo as manhãs de domingo. Os salários eram de fome, havia terríveis condições nos locais da produção e os proprietários tratavam as reivindicações dos trabalhadores como uma afronta, operárias e operários considerados como as "classes perigosas". Sucediam-se as manifestações de trabalhadores, por melhores salários, pela redução das jornadas e pela proibição do trabalho infantil.
Subjacente aos grandes movimentos sindicais e políticos emergiam outros, construtores de uma nova consciência do papel da mulher como trabalhadora e cidadã. Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Clara Lemlich, Emma Goldman, Simone Weil e outras militantes dedicaram suas vidas ao que posteriormente se tornou o movimento feminista.
O dia 25 de março de 1911 era um sábado, e às 5 horas da tarde, quando todos trabalhavam, irrompeu um grande incêndio na Triangle Shirtwaist Company, que se localizava na esquina da Rua Greene com a Washington Place. A Triangle ocupava os três últimos de um prédio de dez andares. O chão e as divisórias eram de madeira, havia grande quantidade de tecidos e retalhos, e a instalação elétrica era precária. Na hora do incêndio, algumas portas da fábrica estavam fechadas. Tudo contribuía para que o fogo se propagasse rapidamente.
A Triangle empregava 600 trabalhadores e trabalhadoras, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas, jovens de 13 a 23 anos. Fugindo do fogo, parte das trabalhadoras conseguiu alcançar as escadas e desceu para a rua ou subiu para o telhado. Outras desceram pelo elevador. Mas a fumaça e o fogo se expandiram e trabalhadores/as pularam pelas janelas, para a morte. Outras morreram nas próprias máquinas.
Morreram 146 pessoas, 125 mulheres e 21 homens, na maioria judeus.
A comoção foi imensa. No dia 5 de abril houve um grande funeral coletivo que se transformou numa demonstração trabalhadora. Apesar da chuva, cerca de 100 mil pessoas acompanharam o enterro pelas ruas do Lower East Side. No Cooper Union falou Morris Hillquit e no Metropolitan Opera House, o rabino reformista Stephen Wise.
No Brasil vê-se repetir a cada ano a associação entre o Dia Internacional da Mulher e o incêndio na Triangle quando na verdade Clara Zetkin o tenha proposto em 1910, um ano antes do incêndio. É muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres. Mas o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin”
O importante não é saber se o Dia Internacional da Mulher tem a ver com o incêndio ou não. O importante, para mim, é tentar não ver a data como uma comemoração. A data é de luta. De resistência e reivindicação.
Eu temo que logo, logo se transforme em mais uma data festiva e comercial, e o verdadeiro significado seja esquecido.
Temos que apoiar as mulheres nas suas lutas. E pronto,
http://www.falasefatos.com.br/
quarta-feira, 3 de março de 2010
Meio Ambiente
Muito se fala, todo dia e em qualquer lugar, sobre meio ambiente. Todos, de repente, se tornam especialistas no assunto. Seja quando aparecem toneladas de peixes mortos nos rios, ou quando alguma catástrofe natural ocorre, como os terremotos que atingiram o Haiti e o Chile.
Fala-se de meio ambiente quando reclamamos do calor excessivo deste verão. E vamos lembrar de meio ambiente quando nos queixarmos do frio que nos espera no próximo inverno.
Para todo este destempero do clima temos uma explicação: a culpa é nossa porque estamos agredindo o meio ambiente a séculos.
Fica bonito, numa roda de amigos, ou até entre colegas de trabalho, desfiarmos nossos conhecimentos acerca de ecologia. Ficamos até com orgulho quando as pessoas prestam atenção ao nosso conhecimento sobre o meio ambiente.
Mas este é um conhecimento que está ao alcance de qualquer um. Na Internet, nos livros de ciências, até nos jornais temos informações diárias sobre meio ambiente.
Então, eu pergunto: e daí? O que temos feito com todo este nosso conhecimento? Temos cuidado do Planeta? Temos por acaso procurado consumir produtos que, na sua industrialização não agrediu a Natureza? Será que estamos fazendo a nossa parte?
No final do ano passado a Administração Municipal fez uma campanha de separação do lixo. Pergunto: quantas pessoas estão separando o lixo seco do orgânico em casa? Outra pergunta: será que a mensagem da Prefeitura atingiu a todos os cidadãos?
Todos nós sabemos que os problemas ambientais são problemas de todos nós. Todos nós sabemos o que devemos fazer para agredir menos a Natureza. Então, porque não fazemos?
Porque continuamos a usar carros poluentes, a jogar lixo em local impróprio, a usar mal as fontes de energia. Por quê?
Um dia, quando eu tiver estas respostas, eu quero contar a todos.
*Comentário veiculado no Programa Rádio Visão, da Rádio América, dia 03 de março.
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Fala-se de meio ambiente quando reclamamos do calor excessivo deste verão. E vamos lembrar de meio ambiente quando nos queixarmos do frio que nos espera no próximo inverno.
Para todo este destempero do clima temos uma explicação: a culpa é nossa porque estamos agredindo o meio ambiente a séculos.
Fica bonito, numa roda de amigos, ou até entre colegas de trabalho, desfiarmos nossos conhecimentos acerca de ecologia. Ficamos até com orgulho quando as pessoas prestam atenção ao nosso conhecimento sobre o meio ambiente.
Mas este é um conhecimento que está ao alcance de qualquer um. Na Internet, nos livros de ciências, até nos jornais temos informações diárias sobre meio ambiente.
Então, eu pergunto: e daí? O que temos feito com todo este nosso conhecimento? Temos cuidado do Planeta? Temos por acaso procurado consumir produtos que, na sua industrialização não agrediu a Natureza? Será que estamos fazendo a nossa parte?
No final do ano passado a Administração Municipal fez uma campanha de separação do lixo. Pergunto: quantas pessoas estão separando o lixo seco do orgânico em casa? Outra pergunta: será que a mensagem da Prefeitura atingiu a todos os cidadãos?
Todos nós sabemos que os problemas ambientais são problemas de todos nós. Todos nós sabemos o que devemos fazer para agredir menos a Natureza. Então, porque não fazemos?
Porque continuamos a usar carros poluentes, a jogar lixo em local impróprio, a usar mal as fontes de energia. Por quê?
Um dia, quando eu tiver estas respostas, eu quero contar a todos.
*Comentário veiculado no Programa Rádio Visão, da Rádio América, dia 03 de março.
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Acessibilidade
Ontem à noite, na Câmara municipal, houve uma audiência pública para tratar do Plano de Mobilidade Urbana de Montenegro, e também para a apresentação do projeto para o paradão, que vai ocupar o espaço do antigo almoxarifado da prefeitura.
O projeto de mobilidade urbana prevê acessibilidade aos portadores de necessidades especiais.
Mas o que é acessibilidade?
Acessibilidade é um conceito moderno de abordar o tema deficiência.
Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas, Acessibilidade garante que pessoas portadoras de deficiências tenham a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de edificações, espaço, mobiliário e equipamento urbano.
Isto abrange toda e qualquer pessoa que tenha alguma limitação física. Pode ser um cadeirante, um deficiente visual, ou auditivo, ou ainda uma pessoa idosa, que já não tenha a mobilidade da juventude.
O censo de 2000 reuniu alguns dados importantes tanto para a compreensão dos obstáculos à acessibilidade em nossas cidades.
Rgistrou aquele censo que cerca de 14.5% da população brasileira, cerca de 26.5 milhões, apresentam algum tipo de deficiência; os 8.5% de idosos significavam 14 milhões de brasileiros, sendo uma pessoa idosa em 26% dos lares no país. A estimativa é de que, em 2025, 15% dos brasileiros terão mais de 60 anos.
Cnstata-se que em 2000, somadas as pessoas com deficiência e as idosas tínhamos cerca de 40 milhões de brasileiros com mobilidade reduzida, portanto necessitadas de soluções de acessibilidade.
Significa dizer que teremos em 2025 algo em torno de um quarto da população a enfrentar problemas de mobilidade, de acessibilidade e, por conseguinte, de inclusão social, vale dizer, de cidadania.
E não esqueçamos as pessoas com limitações ou com temporárias restrições de mobilidade, como acidentados, mulheres grávidas, crianças e outras.
Isto já foi tratado pelo Governo Federal. Em 21 de dezembro de 2000, o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei 10.098, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
Esta lei foi regulamentada em 2004.
Então vejam, desde 2000 se fala nisso em âmbito governamental. E até agora muito pouco se fez.
Tomara que agora o assunto não fique preso a reuniões e aos discursos.
Os portadores de necessidades especiais agradeceriam muito.
Quem sabe, o agradecimento poderia ser nas urnas.
Em breve, no portal falasefatos.com.br, uma matéria vai abordar esta questão da acessibilidade.
*Comentário veiculado no programa Radio Visão, da Rádio América, dia 02 de março.
O projeto de mobilidade urbana prevê acessibilidade aos portadores de necessidades especiais.
Mas o que é acessibilidade?
Acessibilidade é um conceito moderno de abordar o tema deficiência.
Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas, Acessibilidade garante que pessoas portadoras de deficiências tenham a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de edificações, espaço, mobiliário e equipamento urbano.
Isto abrange toda e qualquer pessoa que tenha alguma limitação física. Pode ser um cadeirante, um deficiente visual, ou auditivo, ou ainda uma pessoa idosa, que já não tenha a mobilidade da juventude.
O censo de 2000 reuniu alguns dados importantes tanto para a compreensão dos obstáculos à acessibilidade em nossas cidades.
Rgistrou aquele censo que cerca de 14.5% da população brasileira, cerca de 26.5 milhões, apresentam algum tipo de deficiência; os 8.5% de idosos significavam 14 milhões de brasileiros, sendo uma pessoa idosa em 26% dos lares no país. A estimativa é de que, em 2025, 15% dos brasileiros terão mais de 60 anos.
Cnstata-se que em 2000, somadas as pessoas com deficiência e as idosas tínhamos cerca de 40 milhões de brasileiros com mobilidade reduzida, portanto necessitadas de soluções de acessibilidade.
Significa dizer que teremos em 2025 algo em torno de um quarto da população a enfrentar problemas de mobilidade, de acessibilidade e, por conseguinte, de inclusão social, vale dizer, de cidadania.
E não esqueçamos as pessoas com limitações ou com temporárias restrições de mobilidade, como acidentados, mulheres grávidas, crianças e outras.
Isto já foi tratado pelo Governo Federal. Em 21 de dezembro de 2000, o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei 10.098, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
Esta lei foi regulamentada em 2004.
Então vejam, desde 2000 se fala nisso em âmbito governamental. E até agora muito pouco se fez.
Tomara que agora o assunto não fique preso a reuniões e aos discursos.
Os portadores de necessidades especiais agradeceriam muito.
Quem sabe, o agradecimento poderia ser nas urnas.
Em breve, no portal falasefatos.com.br, uma matéria vai abordar esta questão da acessibilidade.
*Comentário veiculado no programa Radio Visão, da Rádio América, dia 02 de março.
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