De tempos em tempos somos bombardeados por áudios e vídeos mostrando pessoas públicas em negociatas escusas. Lembro do chefe dos Correios, pegando um maço de notas e colocando no bolso do paletó, enquanto afirmava: “O Roberto Jefferson sabe de tudo, claro”. Aquelas imagens desencadearam as investigações que culminaram com o descobrimento do esquema que ficou conhecido como “Mensalão”, que consistia em propina a deputados para aprovação de projetos de interesse do governo Lula.
Os envolvidos foram aos poucos sendo cassados, outros foram renunciando para escapar da cassação, outros ficaram quietinhos e alguns até voltaram eleitos ao Congresso Nacional.
A última (ops!, a mais recente – quem dera fosse a última) ocorre no Distrito Federal. Até o governador foi flagrado recebendo sua parte em dinheiro vivo. Outro, presidente da Assembléia Distrital, não sabia direito o que fazer com tanto dinheiro que colocava um pouco nas meias.
O governador está preso (mas vai sair logo), o vice, que assumiu, mas também estava envolvido, renunciou. E aos poucos, em razão do aparecimento de novos assuntos, a mídia pára de se ocupar com estes espertos.
Mas o que me causa medo, mesmo, não são estes que apareceram em vídeos e áudios fazendo suas negociatas com nosso dinheiro. O que me preocupa de verdade são aqueles ainda mais espertos, que se cuidam, não deixam rastro, formam uma quadrilha tão homogênea que ninguém de fora consegue penetrar. Para tanto, conseguem cooptar – seja por que via for – agentes de todos os poderes, para manter um escudo institucional que lhes permite planejar e executar cada plano sem o mínimo temor.
Estes que todos nós vimos pegando dinheiro são os trouxas, os bocabertas, os idiotas.... Os verdadeiros espertos estão soltos, aumentando suas contas bancárias com nossos impostos, e sem nenhum medo do amanhã.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
A CÂMARA ANDANDO PARA TRÁS
Cada vez que se ouve falar em técnicas modernas de administração, o que logo se destaca é a descentralização das decisões. Assim, empresas e entidades que buscam melhorar fluxo e produtividade, procuram criar departamentos dedicados a assuntos específicos, para que as pequenas avaliações e decisões sejam direcionadas aos pontos mais importantes, sem que seja necessário ocupar toda a estrutura administrativa para todas as decisões.
No início do ano passado, ao entrevistar ao vereador Marcelo Cardona, percebi nele esta vontade de implementar comissões internas na Câmara, no sentido de agilizar as análises de projetos e encaminhar os assuntos com mais propriedade. Experiência de sua vivência empresarial.
Mas nesta semana o Legislativo foi contra o que se considera moderno em termos de gestão. Cardona, mais os vereadores Tuco e Laureno apresentaram a proposta da criação da Comissão de Educação, Saúde e Meio Ambiente. Incrivelmente foi rejeitada, justamente por vereadores que semanalmente batem nestes temas durante as sessões.
Não entendo como podem os Edis, que se dizem preocupados com estes assuntos – sobretudo a Saúde, tema preferencial da maioria – decidem que a Câmara não tem que ter um grupo específico para analisar projetos referentes.
O nome disto é ‘andar para trás’, retroceder do ponto onde estavam. É uma pena. Muitos saudaram a renovação de 50% do Legislativo nas últimas eleições. Os três proponentes são ‘novos’. O presidente, Schmitz, idem, mas não vota. Portanto, os ‘antigos’ têm maioria. Ou seja: não adiantou a renovação.
No início do ano passado, ao entrevistar ao vereador Marcelo Cardona, percebi nele esta vontade de implementar comissões internas na Câmara, no sentido de agilizar as análises de projetos e encaminhar os assuntos com mais propriedade. Experiência de sua vivência empresarial.
Mas nesta semana o Legislativo foi contra o que se considera moderno em termos de gestão. Cardona, mais os vereadores Tuco e Laureno apresentaram a proposta da criação da Comissão de Educação, Saúde e Meio Ambiente. Incrivelmente foi rejeitada, justamente por vereadores que semanalmente batem nestes temas durante as sessões.
Não entendo como podem os Edis, que se dizem preocupados com estes assuntos – sobretudo a Saúde, tema preferencial da maioria – decidem que a Câmara não tem que ter um grupo específico para analisar projetos referentes.
O nome disto é ‘andar para trás’, retroceder do ponto onde estavam. É uma pena. Muitos saudaram a renovação de 50% do Legislativo nas últimas eleições. Os três proponentes são ‘novos’. O presidente, Schmitz, idem, mas não vota. Portanto, os ‘antigos’ têm maioria. Ou seja: não adiantou a renovação.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Esqueceram das dez mil pessoas
O carnaval de Montenegro ficou sem o tradicional (deveria ser, pelo menos) desfile das escolas de samba. Uma troca de argumentos, acusações e desculpas por parte da Administração Municipal e das agremiações demonstra que em nenhum momento os representantes dos dois lados pensaram no principal: o povo.
Por certo muitas pessoas se sentiram melhor pela não realização do desfile na Ramiro Barcelos. O comando do policiamento, com certeza, pôde gerenciar melhor o parco efetivo para manter a ordem pública. Os que não gostam da Folia de Momo, devem ter comemorado.
Mas e as dez mil pessoas que compareceram aos desfiles dos últimos anos? Como ficam?
As escolas não conseguem implementar um mínimo de organização. Registrar pessoas jurídicas, formar associação. Enquanto um esforçado Aníbal dos Santos se esforça para fundar uma entidade que reúna as escolas de samba da cidade, os representantes destas não conseguem seguir a mesma linha.
A impressão que passa é que só pensam em organização no mês de dezembro. Aí querem que a Prefeitura repasse o dinheiro, com o qual vão montar um enredo, comprar fantasias, contratar serviço de som e desfilar pela Ramiro. Tudo muito longe do que se vê em cidades próximas, como Estância Velha e São Leopoldo, onde o profissionalismo bate ponto na mesma cadência do surdo de marcação há muito tempo.
A Administração Municipal também não pensou no Povo. A razão precípua da existência de uma liderança municipal (cuidar dos interesses da comunidade) foi deixada de lado na Cidade das Artes. Aliás, este título ficou mais uma vez sem sentido.
Enquanto outras prefeituras próximas, como São Sebastião do Caí e Capela de Santana, com cofres bem menos servidos, contrataram atrações externas para levar ao povo seu ópio, em Montenegro foi entabulada uma quebra de braço com as escolas locais, que desde o ano passado se previa que não tinham muito interesse em organizar-se.
A Administração alega que não pode dar dinheiro a entidades que não estejam registradas. As escolas reclamam que não possuem locais para ensaios. E seguem seus enredos de desculpas, sem pensarem no mais óbvio: qualquer espetáculo é feito para o Povo. É para ele que deve ser pensado um enredo, uma fantasia. É para o Povo que devem ser direcionados os recursos da Cultura e Lazer.
O Povo da Cidade das Artes merecia ser lembrado mais vezes.
Por certo muitas pessoas se sentiram melhor pela não realização do desfile na Ramiro Barcelos. O comando do policiamento, com certeza, pôde gerenciar melhor o parco efetivo para manter a ordem pública. Os que não gostam da Folia de Momo, devem ter comemorado.
Mas e as dez mil pessoas que compareceram aos desfiles dos últimos anos? Como ficam?
As escolas não conseguem implementar um mínimo de organização. Registrar pessoas jurídicas, formar associação. Enquanto um esforçado Aníbal dos Santos se esforça para fundar uma entidade que reúna as escolas de samba da cidade, os representantes destas não conseguem seguir a mesma linha.
A impressão que passa é que só pensam em organização no mês de dezembro. Aí querem que a Prefeitura repasse o dinheiro, com o qual vão montar um enredo, comprar fantasias, contratar serviço de som e desfilar pela Ramiro. Tudo muito longe do que se vê em cidades próximas, como Estância Velha e São Leopoldo, onde o profissionalismo bate ponto na mesma cadência do surdo de marcação há muito tempo.
A Administração Municipal também não pensou no Povo. A razão precípua da existência de uma liderança municipal (cuidar dos interesses da comunidade) foi deixada de lado na Cidade das Artes. Aliás, este título ficou mais uma vez sem sentido.
Enquanto outras prefeituras próximas, como São Sebastião do Caí e Capela de Santana, com cofres bem menos servidos, contrataram atrações externas para levar ao povo seu ópio, em Montenegro foi entabulada uma quebra de braço com as escolas locais, que desde o ano passado se previa que não tinham muito interesse em organizar-se.
A Administração alega que não pode dar dinheiro a entidades que não estejam registradas. As escolas reclamam que não possuem locais para ensaios. E seguem seus enredos de desculpas, sem pensarem no mais óbvio: qualquer espetáculo é feito para o Povo. É para ele que deve ser pensado um enredo, uma fantasia. É para o Povo que devem ser direcionados os recursos da Cultura e Lazer.
O Povo da Cidade das Artes merecia ser lembrado mais vezes.
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